(Pintura de Maria do Carmo da Hora)
Hoje é dia de festa no acampamento! A fogueira arde alta e plena no meio de um vale bastante arborizado, fazendo com que suas faíscas iluminadas subam ao céu que não poderia estar mais límpido e brilhante de estrelas. Há bastante cantoria e animação. Pode-se ouvir de muito longe os gritos de saudação e alegria que nascem de uma grande roda: Olé!
Com o olhar perdido entre as labaredas havia uma cigana de beleza inconfundível. Seu nome era Rosita, ou melhor, Cigana Rosita! Suas roupas de um vermelho brilhante e seus cabelos negros e anelados realçavam ainda mais os traços marcantes de seu rosto. Diante da grande fogueira, essa belíssima cigana refletia:
- Curioso como toda essa grande alegria entra em sintonia com os meus sentimentos mais profundos e escondidos. A sensação que tenho é de que a fogueira arde dentro do meu peito e faz evaporar cada gota de sofrimento que ainda possa existir.
Uma paixão que se descoberta seria incompreendida por todos, conseguiu enlaçar meu coração. Apesar disso, um sentimento misto de segurança e saudade me entorpece. Devido a essa mistura de emoções, uma dúvida foi gerada em mim: ele ainda voltará?
Quando nos vimos pela primeira vez, fui permitindo cada vez mais a proximidade do gadje até mim. Primeiro com troca de olhares, depois, troca de palavras, até não haver mais distancia entre nós e os corações estarem unidos. E por muitas noites nossos corações estiveram enlaçados simplesmente pelo ardor de cada faísca transmitida pelos olhares. Mas até quando duraria?
Foi em uma noite enluarada que nos conhecemos e nos despedíamos sempre na força da lua que testemunhava cada noite de alegria. A saudade de cada minuto é grande e sufoca. Mas preciso compreender que no outro dia, voltaremos a nos ver. E quando a dor do afastamento passar, só restará o meu amor puro e minhas lembranças.
Entenderei que essa experiência de afastamento é um meio de lapidar as minhas emoções. Torná-las mais pura, o mais fiel à sua natureza possível.
Volto de meus pensamentos quando minha amada mãe coloca a mão em meu ombro e me passa uma bacia, com a mistura sagrada que alimenta a divindade salamandra, pedindo que eu a deposite toda na fogueira. Nesse momento sagrado, todos nós permanecemos em silêncio em sinal de respeito, para que as chamas se alimentem.
Com a bacia nas mãos, em pensamentos peço ao grande elemental para que me mostre a verdade. Meu coração, afogado de saudades e receios nunca desejou tanto saber se o gadje ainda voltará. Suplico uma resposta ao elemental flamejantes.
Logo após, derramo a mistura na fogueira e uma neblina branca cobre todo o acampamento e junto à ela um perfume maravilhoso. Silenciosa ela percorre por inteiro o corpo de cada um presente e sobe ao céu límpido.
Quando a fogueira cessa a produção de fumaça e a neblina que foi formada se esvai, todos aplaudem e saúdam a grande energia do elemental. Ele se satisfez!
À partir de agora, todos já podem se alimentar, pois, antes, as chamas se alimentaram. Uns voltam à música e à dança em grande estilo, outros se dirigem ao grande tapete formado por cestos com grande variedade de comidas e bebidas que haviam sobre o campo gramado.
(Desconheço o autor da Imagem)
Ainda permanecendo parada de frente a fogueira, volto meu olhar para longe e avisto uma coruja branca pousando no galho de uma grande árvore próxima ao bosque. Bom presságio! Nesse momento, percebo com muita felicidade, no fundo de meu coração, que a resposta das chamas havia chegado: meu gadje haverá de voltar!
Com os olhos marejados por lágrimas brilhantes e um sorriso sincero estampado no rosto, olho para a grande fogueira e me curvo em forma de reverência, agradecendo às salamandras por ouvirem e responderem minhas preces. Optchá!
Inspirado no dia 28.11.2009, pela Cigana Rosita, para Filipe Miranda.

POXA MUITO LINDO É ENCANTADOR,VIEJEI NESSA POSTAGEM.... MEUS PARABENS QUE VC FAÇA MUITO SUCESSO...ARRIBA
ResponderExcluirai que lindoo estou com os olhos cheios de água.. muito bonito.. obrigada
ResponderExcluirMarcia da cigana rosita
Linda história, vc é um presente da espiritualidade. Parabéns ! Santa Sara te abençôe muito...
ResponderExcluirDaniela Almeida